domingo, 28 de fevereiro de 2010

Quando Pedro voltou, estava anoitecendo. E foi como se todas as luzes da casa se acendessem ao mesmo tempo.


(…)

Os dias se interrompiam quando ele ia embora. Recomeçavam apenas no mesmo segundo em que tornava a chegar.

Não sei quanto tempo durou. Só comecei a contar os dias a partir daquele dia em que ele não veio mais.

Desde esse dia, perdi meu nome. Perdi o jeito de ser que tivera antes de Pedro, não encontrei outro.

Eu queria que voltasse, não conseguia viver outra vez uma vida assim sem Pedro.

(…)

Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse.

Mas Pedro não voltou, eu não voltei.

As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada.



- Caio F. Abreu

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